O Pranto de Maria Parda

Ontem fui ao Teatro… já não via a Maria do Céu Guerra, ao vivo, desde meados dos anos oitenta! Tempo demais! Ela continua igual… pujante, expressiva, senhora dos seus passos e da sua voz! Também tem mais rugas… e eu tenho as que ela tinha da última vez que a vi. Só lhe ficam bem porque marcam o tempo de muitas palavras …muitas dádivas para aqueles que a podem ouvir e ver.

Fiquei contente porque a sala, embora pequena, estava cheia. Não houve frio ou preguiça que impedisse que a sala ficasse aconchegada. Até os pequeninos ficaram muito mais quietos e atentos do que é costume… e eu já estive naquela sala numa mão cheios de ocasiões. Não consegui rir durante toda a peça, nem mesmo quando os risos invadiram a sala, as agruras da alma humana aferrolham sempre os meus lábios… e os meus dentes envergonham-se de aparecer.

A Maria, nome bonito e doce, com Guerra de apelido, forte e apelante, sublinhou notas de rodapé… lembrou-me o que sou… alguém que a todo o instante, em qualquer dos meus momentos, tem que ser capaz de improvisar notas de roda pé para aqueles que me olham pasmados … principalmente nestes tempos incertos! Pois, é verdade! Apesar de tudo quanto gritam por aí, a mentir e omitir, sou professor… anota Leonor!

            mcguerra

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~ por Ricardo Pimentel em Novembro 30, 2008.

Uma resposta to “O Pranto de Maria Parda”

  1. Bom texto Ricardo.
    Quanto à pontuação, não te preocupes. Ao lado das regras, é, sobretudo, o nosso ritmo quem sobretudo deve pontuar os nossos textos.
    Quanto à MCG ela continua igual, cheia de força como disseste. Está mais velha, é verdade, mas seguramente mais sábia. Cada gesto seu, cada esgar sulcado pelo tempo transmitia mais palavras que o próprio texto ocultava.
    Também gostei de a rever. Mesmo a Eduarda, sem perceber boa parte do texto e seguramente a amargura da Maria, a Parda, gostou, sobretudo das ceitilhas que eram negadas à personagem vicentina.

    Quanto ao resto, Ricardo, são os tempos difíceis que revelam o que há dentro de cada um. Por isso, a luta continua, não pode ceder.
    Como professores sérios, dignos e empenhados devemos dar esse exemplo.
    Um abraço camarada e amigo,

    José António

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