Mina de S. Domingos

A mina de S. Domingos pertence à província metalogenética da Faixa Piritosa Ibérica (FPI), que se estende desde as províncias de Huelva e Sevilha em Espanha até ao Sul de Portugal onde inclui grande parte dos distritos de Beja e Setúbal. . Na Mina de S. Domingos é possível observar uma sequência vulcânica composta por riolitos, jaspes e diabases. Apesar de ocorrerem localmente disseminações menores de jaspe hematítico, óxidos de manganês e sulfuretos, apenas existe um único corpo mineral de sulfuretos maciços. Refira-se que esta situação é excepcional em toda a FPI já que os outros depósitos revelam sempre vários corpos mineralizados que se apresentavam interligados (Neves Corvo, por exemplo) ou separados (Lousal, por exemplo). Esta situação poderá dever-se à erosão dos outros corpos de sulfuretos maciços ou porque os corpos metalíferos adicionais ainda não foram descobertos (Barriga et al, 1997). A zona de extracção de sulfuretos maciços de S. Domingos era formado por uma única massa vertical de pirite cuprífera, associada com sulfuretos de Zn e Pb, que se alongava na direcção E-W.

No entanto o lugar de destaque para S. Domingos, mineralogicamente bem entendido, é o facto de ser a localidade tipo da CLAUDETITE As2O3. Este mineral de neoformação foi descrito por Dana em 1868, honrando o nome do químico francês Frédéric Claudet que o descobriu. Especulo que este mineral terá tido origem, por sublimação, na combustão das pirites de S. Domingos o que não seria difícil de acontecer face aos métodos metalúrgicos aí praticados.

Ribeira de S. Domingos
Chaminé metálica – oficinas
Fundição Orkla – Achada do Gamo
Escórias na Achada do Gamo

A 17 de Janeiro de 1861 esta companhia, Mason & Barry, obteve a aprovação do seu plano de trabalhos de lavra a executar na denominada Mina de cobre de S. Domingos. Os trabalhos de mineração começaram em 1863 tendo rapidamente a mina de S. Domingos atingido uma importância extraordinária no panorama mineiro nacional e mesmo internacional. Em 1866 a produção de cobre, correspondente ao minério produzido em de S. Domingos, era equivalente a metade do total produzido por todas as minas da Grã-Bretanha e ultrapassara a produção das minas da província espanhola de Huelva que incluíam Rio Tinto e Tharsis. Na sequência do desenvolvimento da exploração mineira foi construída em 1859 a linha ferroviária com cerca de 17 km, a segunda de Portugal, para transporte do minério desde a corta até ao porto fluvial de Pomarão situado no rio Guadiana, também construído pela concessionária. No início do funcionamento da ferrovia utilizava-se a tracção animal para puxar os vagões mas a partir de 1867 introduziu-se a locomotiva a vapor. Seguiu-se a construção, acerca de 3 km da zona de extracção, da fábrica de tratamento metalúrgico de Achada do Gamo no período de 1863-65. Em 1866-67 um novo planeamento de exploração foi feito levando ao começo da exploração a céu aberto (open pit) em 1868 que levaria a extracção até aos 122 m de profundidade. Em 1934 é construída uma fundição tipo Orkla, na Achada do Gamo, produzindo-se enxofre e ácido sulfúrico. Outra fábrica do mesmo tipo seria construída em 1943 sendo o enxofre, até ao final da década de 50, a maior fonte de receita da mina. Em 1945 os trabalhos subterrâneos tinham atingido a profundidade de 300m. O esgotamento dos recursos do depósito levaram ao seu encerramento em 1966 com a mina a atingir perto de 400 metros de profundidade e cerca de 25 milhões de toneladas de minério extraído em mais de um século de história.

~ por Ricardo Pimentel em Dezembro 27, 2007.

4 Respostas to “Mina de S. Domingos”

  1. Adorei este artigo…sou estudante de geologia na universidade de Lisboa, e achei este blog com bastante interesse! É raro encontrar alguém que fale da nossa geologia e nos mostre coisas novas sobre o nosso pais e aqui podemos tirar algumas ideias de sitios a visitar. Por isso este verão na nossa espedição para conhecer a geologia de Portugal irei a esta mina:D

    Uma boa continuação de bons post’s!

  2. Tenho por aí fotos de outros locais… pode ser que um destes dias descubra aqui mais algum motivo de interesse!

    Espero que visite o pedras soltas mais vezes 😉

    Votos de boas jornadas geológicas e êxito nos estudos 🙂

  3. a mnh terra e linda…

  4. […] mais imagens ver aqui por […]

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