Zeólitos de Monchique

O maciço alcalino de Monchique de idade cretácica situa-se no Algarve e estará relacionado com a abertura do Atlântico Norte, particularmente com a abertura do Golfo da Biscaia, em conjunto com os maciços de Sintra e Sines. O maciço alcalino de Monchique é constituído fundamentalmente por sienito nefelínico, destacando-se o tipo foiaíto descrito por Blum em 1861, quanto às restantes rochas, existentes no afloramento, merece referência especial o monchiquito descrito em 1890 por Hunter e Rosenbuch. As amostras bem  cristalizadas são relativamente raras dado que o sienito, e restantes rochas do maciço, se apresentam bastante compactas e relativamente pobres em cavidades. No entanto as cavidades miaroliticas e alguns veios pegmatíticos permitiram obter cristais, geralmente milimétricos ou sub-milimétricos, de analcima, natrolite, fluorite, aegirina, lepidolmelana, ancylite-Ce, calcopirite, magnetite, pirite, pirrotite, galena, brookite, sodalite e zircão. Inclusos no monchiquito encontraram-se cristais de sanidina. De todo estes o mais notáveis são os que se referem aos minerais do grupo dos zeólitos já que alcançam dimensões bastante superiores aos outros cristais. 

Analcima- – Cristais de incolor a branco com dimensões que variam geralmente entre 1 e 15 mm. Apresentam como forma mais comum o icositetraedro {211}. Goldshmidt ilustrou diagramas de cristais provenientes das Caldas de Monchique com as formas icositetraedro e dodecaedro {110}.

 Gonnardite– Como cobertura branca sobre cristais de natrolite. Em cristais de natrolite seccionados a observação de um núcleo transparente envolvido por uma cápsula branca parece indicar crescimento de Gonnardite em natrolite tal como acontece, por exemplo, em Saint Hilaire, Canadá. Foi confirmado por trabalho laboratorial.

Natrolite – Cristais de incolor a branco, por vezes de grande qualidade, com dimensões que podem chegar aos 8 cm. Os cristais de algumas amostras estão cobertos por Gonnardite. O hábito mais comum é a associação entre prisma {110} e dipirâmide {111}. Outros hábitos incluem cristais com associação entre {110} ¸{111}e {100}.

Natrolite atravessada por aegirina (Foto Volker Betz)
Analcima e aegirina (Foto de Volker Betz)

 PIMENTEL R., Alves P., De Ascençao Guedes (2006)  Natrolite et analcime du massif alcalin de Monchique, Faro, Portugual, Le Règne Mineral, p 39-45

~ por Ricardo Pimentel em Dezembro 26, 2007.

2 Respostas to “Zeólitos de Monchique”

  1. Sou um colecçionador iniciado na matéria e li o artigo sobre a mina da perguiça.
    Como vivo em Agueda (terra do leitão) gostava que me informasse se o publico tem acesso a esta mina e se esse acesso é facil.
    Estou ao dispor para qualquer informação ou ajuda
    Obrigado

  2. Caro Carlos,

    O acesso é simples por uma estrada de terra batida. O acesso às escombreiras é permitido, para já, e pode arranjar com facilidade cerussite, willemite e smithsonite de boa qualidade e descloizite de qualidade inferior. Quanto ao acesso ao interior da Mina não sei responder embora saiba que alguns visitantes têm lá entrado sem problemas de maior.

    Cumprimentos,

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